A manutenção dos equipamentos deve estar entre as prioridades de uma empresa em qualquer setor da indústria. Na fabricação de alimentos, a eficiência dos equipamentos é um ponto ainda mais importante, porque um tempo prolongado de máquinas paradas significa perda de ingredientes perecíveis e prejuízo financeiro.
Existem, basicamente, dois tipos de manutenção: a corretiva e a preventiva. A primeira contempla o conserto dos equipamentos depois que ele começa a perder eficiência. Já a segunda pode ser resumida na capacidade de identificação de problemas antes que eles se manifestem.
Na prática, a manutenção preventiva consiste em fazer diagnóstico precoce sobre eventuais danos ou desgastes gerados por motivos variados, desde desgaste ao mau uso. Também conhecida como manutenção prevista e programada, a manutenção preventiva é pensada para que seja aplicada antes do surgimento de uma possível falha, diminuindo não só perdas na produção como riscos aos funcionários.
Uso da inteligência artificial
Para o CEO & Co-Founder da I2AI (International Association of Artificial Intelligence), Alexandre Del Rey, a inteligência artificial (IA) tem papel central na garantia de eficiência de uma manutenção preventiva. Essa tecnologia permitiu que o número de acidentes e paralizações caísse drasticamente nas fábricas.
Inteligência artificial ou simplesmente IA é a habilidade que as máquinas passaram a ter para não só armazenar dados, mas também indicar decisões a partir dessas informações. Para fazer isso, os equipamentos utilizam outra tecnologia, chamada machine learning (aprendizado de máquina), que permite à máquina aprender com os dados que ela possui.
Assim sendo, uma máquina equipada com inteligência artificial pode identificar com bastante precisão o tempo em que ela funcionará à perfeição até apresentar seus primeiros problemas. Isso é possível porque ela já detém alguma “memória” sobre o seu próprio funcionamento ou de máquinas semelhantes.
Essas informações que serão “estudadas” pelas máquinas para oferecer soluções aos seus operadores são capturadas de diferentes maneiras, mas principalmente por câmeras (que flagram movimentos ou deterioração aparente) e sensores (como os de temperatura ou movimento).
Os sensores e câmeras captam as informações e as máquinas as processam, identificando padrões de uso. Quando os padrões deixam de ser seguidos, é dado o alerta, indicando que o equipamento está prestes a apresentar problemas que prejudiquem ou interrompam seu funcionamento.
“Já se usa há muito tempo a estatística nesse tipo de manutenção, mas a diferença é que a inteligência artificial consegue testar vários modelos e capturar um conjunto muito maior de informações para realizar as previsões e predições”, afirma o CEO da I2AI.
Del Rey acredita que a tecnologia vem evoluindo nos últimos anos e que sua capacidade de coletar grandes quantidades de informação é sua maior vantagem.
Ele destaca o papel dos algoritmos, cada vez mais sofisticados, na evolução da inteligência artificial e, por consequência, da manutenção preventiva. Esses algoritmos (tão mencionados, mas pouco compreendidos), são, na verdade, mecanismos artificiais de compreensão das informações e tomadas de decisão, que hoje permitem manutenções preventivas muito precisas.
“Hoje em dia, é possível medir com precisão a vibração, a velocidade, a temperatura e uma série de outros fatores utilizando o algoritmo”, explica. Por meio dos algoritmos, “você consegue perceber, com poucas avaliações, que haverá algum problema com bastante antecedência”, detalha Del Rey.
O especialista finaliza afirmando que o resultado da utilização da inteligência artificial com o intuito de ampliar as predições da manutenção preventiva dá aos gestores de operação e produção “tempo e capacidade para trabalhar soluções antes que o problema apareça, reduzindo assim o impacto dos danos”.
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