Novos processos e equipamentos ajudam setor a produzir mais gastando menos

Na atual
conjuntura de um mercado cada vez mais globalizado e competitivo, reduzir custos operacionais e maximizar
a produção soa como um mantra para a atividade industrial, que tem no uso da
eletricidade um dos seus principais gastos financeiros, mas que representa um
insumo essencial para o desenvolvimento com qualidade e segurança de seus
produtos, seja para iluminar, refrigerar, esquentar, mover máquinas,
equipamentos e uma enorme gama de processos realizados cotidianamente em todos
os setores da economia.

Para tanto a aplicação de medidas de eficiência energética se mostram fundamentais à indústria, maior bloco de demanda energética, responsável por consumir 35,8% de toda energia gerada no país em 2017, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O segmento tem buscado estimular o uso racional e a conservação da energia elétrica, numa premissa básica de se produzir mais gastando menos.

O momento desfavorável, com aumentos tarifários e uma situação hidrológica irregular para o ano, que impede uma geração de energia mais barata no país, evidencia ainda mais a necessidade de se investir em ações e soluções que busquem essa economia através da evolução tecnológica dos níveis de eficiência para processos e equipamentos.



De acordo com análise do Plano Nacional de Energia – PNE 2030, o setor de Alimentos e Bebidas é tido como um dos grandes potenciais dentro da indústria para utilização da eficientização, principalmente pelos procedimentos para ar comprimido no envase de produtos, na necessidade de elevar a temperatura para pasteurização, no próprio aquecimento e cozimento do alimento, além dos motores elétricos, que movimentam esteira e máquinas, representando os custos mais elevados dentro do quadro de energia deste segmento.

Para se ter uma ideia, o ramo alimentício é o segundo dentro da indústria em termos de demanda por eletricidade, tendo apresentado crescimento de 12,8% em abril, segundo dados aferidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Uma das principais frentes para a economia é a eliminação dos pontos críticos de perdas de energia e a identificação das principais alterações no processo produtivo que possibilitem uma melhoria da produtividade. São soluções realizadas com o uso de acionamentos de velocidade variável, motores de alto rendimento, sistemas de bombeamento e de refrigeração eficientes, aquecimento solar, supervisão dedicada ao uso da eletricidade com controle da demanda, fator de potência, setorização de unidades e a modernização da iluminação a LED.

Na avaliação do
presidente da Associação Brasileira de Eficiência Energética (ABESCO),
Alexandre Moana, um dos principais motes para uso da eficiência neste mercado é
o pré-aquecimento de água próxima a 100 graus, para processos de pasteurização.
“Isso sempre abriu uma margem incrível de possibilidades, mostrando-se um setor
bem promissor para eficientização do uso térmico e elétrico no meio do sistema
de produção”, comentou, afirmando que uma das novidades para este mercado é a
possibilidade de realizar esse processo a partir de recursos termosolares.

A alta demanda de
energia térmica nos processos das indústrias de alimentos e bebidas também pode
ser suprida através do uso do gás natural (GN) como solução energética,
eficiente e que dispensa armazenamento, podendo ser utilizado como nos
processos de secagem, refino, cocção, torrefação, panificação, pasteurização,
destilação e lavagem, em equipamentos clássicos deste segmento, como geradores
de vapor, caldeiras, estufas e fornos. Por sua pureza e ausência de
contaminantes, pode ser empregado diretamente nos fornos, com maior aproveitamento
da temperatura interna. Quando utilizado para a geração de vapor, visando
higienização ou cocção, também possibilita maior rendimento e redução dos
gastos com manutenção, visto evitar a formação de crostas nos tubos,
assegurando, ainda, um ambiente isento de fuligem.

Outro ponto
levantado por gestores e especialistas na área são os motores elétricos, que
com o passar do tempo podem passar a produzir menos e consumir mais energia.
Para o Diretor de Vendas da WEG, Fernando Cardoso Garcia, esses equipamentos
representam uma parcela significativa do gasto de energia da indústria de
Alimentos e Bebidas, cerca de 81%, segundo dados de 2006 da EPE.

“O
desenvolvimento tecnológico impõe, ano após ano, novos níveis de eficiência
para os equipamentos e o que acontece no Brasil é que há muitos motores
defasados, necessitando o parque fabril se renovar”, afirmou, citando como
exemplo de sucesso o caso da BRF, que em 2014 realizou a troca de 113 motores
em duas fábricas de Santa Catarina, totalizando uma economia de 8.710 MW/h por
ano, equivalente a 2,85% de todo consumo anual das fábricas.

O executivo
enxerga atualmente três focos básicos para se trabalhar eficiência energética
em motores: a substituição de modelos antigos por novos e mais eficientes, o
redimensionamento dos dispositivos que possuem uma maior potência do que
deveriam para executar suas funções, além da automação maior dos processos,
como a indução de variação na velocidade de inversores, para que mudem a
frequência do equipamento de um modo inteligente. Ele também observa no mercado
em geral uma falta de gestão das informações relativas ao consumo de
eletricidade. “Muitas vezes quando pedimos ou vamos nas empresas, é
impressionante como encontramos dados falhos ou insuficientes”, completou.

Alexandre Moana
também destaca os sistemas de inserção de inteligência artificial aplicados a
gestão do consumo, equipamentos, e a própria produção de alimentos, como por
exemplo o lançamento recente do Sirius 3RW5, uma solução da Siemens para
acionar motores elétricos de forma suave, prevenindo, assim, perdas e outros
danos causados por uma inicialização brusca do motor. Há também um sensor que
pode ser instalado no motor, permitindo o acompanhamento em tempo real do
equipamento, com análises e emissão de alertas quando necessário.

Os principais
desafios deste mercado apontam para o atendimento de um número cada vez maior
de clientes, com a necessidade de distribuir produtos mais saudáveis e mais
seguros, atender hábitos variáveis dos consumidores, além de adaptar-se às
variações das matérias-primas, custos de energia e projetar fábricas e cadeias
de suprimento ambientalmente corretas.

Tais medidas
provocam melhorias diretas na redução de emissões de poluentes no local de
trabalho e no meio ambiente, trazendo também benefícios em termos de imagem
para as instituições, ganhos que podem proporcionar no seu conjunto acesso a
novos mercados ou posição de destaque em mercados competitivos. Sem dúvida a
eficiência energética constituí um caminho muito interessante para a sustentabilidade
na indústria de alimentos e bebidas brasileira, seja pelo viés econômico, seja
por seu caráter ambiental.

A eficiência energética será abordada durante o Energy Solutions Show nos dias 28 e 29 de maio, que será realizado em São Paulo, pelo Grupo CanalEnergia/Informa Markets. O evento trará feira e congressos, que levarão ao público informações relevantes sobre variados temas do setor elétrico, como autogeração, mercado livre e o mercado das principais fontes renováveis.