Em
abatedouros, a máxima qualidade e a maior velocidade operacional do abate
passam necessariamente pelos cuidados em todas as etapas do fluxograma de
abate, que precisam ser bem realizadas, tais como a recepção, pendura de aves,
atordoamento, sangria, escaldagem, depenagem e evisceração.

Dentre
esses procedimentos do fluxograma de abate, a pendura de aves representa uma
das etapas mais importantes, pois é responsável por reduzir a qualidade do
produto final caso existam falhas. Nesta etapa, as aves são colocadas em suportes ligados à nória. Esse
processo é realizado de forma manual, mesmo em uma indústria cada vez mais
automatizada. Por isso, a pendura de aves deve
ser realizada sempre com a máxima eficácia, onde o treinamento e a adoção de
cuidados potencializam essa importante etapa do fluxograma de abate.

Segundo
o professor
do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos (PPGTAL) da UTFPR,Fábio Augusto
Garcia Coró,
a pendura é uma etapa dolorosa para as aves. “Existem vários receptores nervosos nas canelas que estão
sendo comprimidas pela nórea, logo, quanto mais tempo os animais ficarem na
pendura, maior será o desconforto e sensação de dor
”. Além disso, o
simples fato de a ave ser colocada de ponta-cabeça na linha de pendura de aves
é o suficiente para ela sentir medo e estresse.

Falhas na pendura: problemas para o trabalhador
e sofrimento para as aves

Quando
realizada de forma incorreta, a pendura de aves pode ocasionar em sérios
problemas à saúde do trabalhador de abatedouros, além de causar sérios danos e
sofrimento às aves.

Para
os trabalhadores desse setor os problemas relacionam-se principalmente à saúde
e estresse dos mesmos. A atividade de pendura é geralmente realizada por uma
equipe pequena que trabalha em um ambiente agressivo, a um ritmo intenso e
submetida a um alto grau de exigência física, além do excesso de poeira e
constante contato com o excremento das aves.

Como fazer a correta pendura de aves?

A
tecnóloga em alimentos e o professor salientam que esta etapa deve ser bastante
criteriosa e por isso depende da excelência dos trabalhadores bem como da
adequação dos equipamentos em questão.

Hoje sabe-se que esta área deve ser
iluminada de forma diferenciada, com menor intensidade luminosa ou com luz
azul, propiciando um ambiente bastante calmo e com efeito calmante
”,
sugerem.

Os
pesquisadores explicam também que a pendura das aves na nória deve ser feita
sem movimentos bruscos, evitando estressar as aves. Além disso, a imobilização
da pendura é necessária para que ocorra a aplicação adequada da
insensibilização.

Para
um eficiente procedimento, as aves devem ser retiradas pelas canelas das
gaiolas e ser penduradas pelas duas pernas – nunca uma perna só – nos ganchos
da trilhagem, sob força apropriada que evite o aparecimento de contusões e
hematomas.

O
tempo entre pendura e insensibilização (processo seguinte) é outro ponto
fundamental a ser considerado. Os pesquisadores explicam que esse tempo deve
ser o menor possível, a fim de evitar desconforto nas aves, devido à pressão
das pernas com o gancho e a posição invertida em que a aves se encontram.

Recomenda-se um tempo máximo que não
pode ultrapassar os 90 segundos
”, sugerem os profissionais.

Caso
haja problemas na linha, como por exemplo sua parada completa, as aves que não
foram insensibilizadas devem ser imediatamente retiradas dos ganchos e retornar
para as caixas até o reestabelecimento da operação.

Dicas para melhorar a eficiência da pendura de
aves

Para
minimizar os efeitos que comprometem à eficiência da pendura de aves, Tania e Coró
sugerem algumas dicas essenciais.

Para
aumentar o bem-estar as aves as dicas são:

  • Colaboradores
    devem ser devidamente treinados sobre os conceitos de Bem-Estar Animal,
    evitando força excessiva, movimentos e batidas desnecessárias;
  • Instalar um
    anteparo para apoio de peito em toda a extensão da nórea de abate, de modo
    a evitar que as aves se debatam, reduzindo o estresse;
  • O colaborador
    deve manter a mão sobre o corpo da ave para contê-la por 1 a 2 segundos,
    com isso as aves se acalmam e o bater das asas diminui;
  • A velocidade de
    linha de abate deve ser compatível com o número de colaboradores
    destinados à pendura de aves.

Ainda
sobre essa questão, Coró lembra que a pendura de aves ainda é uma das poucas
etapas onde há prevalência da mão de obra humana “comandando” o cenário. Tal
fato reforça ainda mais a importância do treinamento dos colaboradores.


para melhorar a qualidade do trabalho dos operadores da linha de pendura de
aves, os pesquisadores indicam que os frigoríficos devem respeitar o disposto
na Norma Regulamentadora de Saúde e Segurança no Trabalho (NR 36).

Dentre
os vários pontos que a NR aborda, os pesquisadores destacam:

  • Pausas para
    descanso (de acordo com a jornada de trabalho); e
  • Rodízio de
    atividades, como a alternância das posições de trabalho, alternância de
    grupos musculares, alternância de atividades sem exigência de
    repetitividade, redução de exigências posturais, redução de carregamento,
    manuseio e levantamento de cargas e pesos.

Neste
contexto, Coró lembra que a pendura de aves ainda é uma das poucas etapas onde
há prevalência da mão de obra humana “comandando” o cenário, “reforçando ainda mais a importância do
treinamento dos colaboradores
”, explica.

Agregado
a tudo isso, fatores como ajuste dos equipamentos em relação ao tamanho das
aves, condições ambientais na área de pendura e condições em que o animal chega
para a realização da pendura são determinantes para a continuidade do processo,
uma vez que quanto mais calmos estes estejam, melhor será fluxo de trabalho.