Cada vez mais, os consumidores olham com sentimento de culpa para as montanhas de lixo que acumulam cotidianamente. As embalagens formam uma boa parte desse lixo, e, embora muitas delas sejam recicláveis, apresentam desafios relacionados à coleta, destinação e eficiência da reciclagem. 

O Food Connection entrevistou Mario Narita, dono da Narita Strategy & Design, agência de estratégia, design e inteligência de mercado, que tem no seu portfólio grandes marcas do setor de alimentos, como Nestlé, Bauducco, Mondelēz, entre outras. 

O executivo falou sobre ecodesign e embalagens positivas, os desafios e potenciais desses conceitos e tecnologias, que podem ajudar a melhorar o ciclo de utilização das embalagens e reduzir a quantidade de material utilizado ao longo de todo o processo.    

Confira a seguir a entrevista com Mario Narita.

Como o ecodesign está sendo utilizado na indústria de alimentos?

Não só no setor de alimentos como também em outras indústrias, existe uma corrida para o desenvolvimento de novas alternativas de embalagens sustentáveis que substituam alguns plásticos mais difíceis de reciclar e/ou outros derivados de materiais de origens fósseis.

Uma das primeiras barreiras para essa substituição está no beneficiamento de materiais orgânicos biodegradáveis. Depois, temos o custo do transporte desses resíduos até a fábrica. A terceira questão seria o custo da produção dessas embalagens. Posteriormente, a distribuição. 

A somatória de todos esses custos dificulta a substituição, por exemplo, pelas bandejas de isopor (mais difíceis de reciclar), que chegam a ser dez vezes menores.  

Será necessário subsídios governamentais e flexibilidade dos consumidores para revertemos essa equação necessária.

Quais benefícios já podemos observar com a adesão da indústria ao ecodesign?

O que eu vejo são ações focadas na economia circular e movimentos específicos na redução de impacto ambiental, como a redução e/ou substituição de materiais na cadeia produtiva ou especificamente na criação de embalagens biodegradáveis, uma vez que elas são os resíduos mais visíveis, principalmente em produtos como alimentos.  

É bom ressaltar que temos muitas ações genuínas, porém, outras do tipo greenwashing. Isto é, ações que se preocupam em somente parecer sustentáveis para atrair a atenção dos consumidores. 

Sobre embalagens positivas (que impactam positivamente a cadeia), os custos são elevados de forma que inviabilizam a implementação disso como cultura ou já é possível aderir sem grandes gastos adicionais?

Sim, existe o problema de altíssimo custo. Alguns segmentos conseguem absorver esse ônus. Porém, em setores mais competitivos e/ou essenciais, permanecem mais complexos. 

Se não houver um hercúleo esforço e altos investimentos para que esses custos baixem, a situação continuará a mesma. Neste sentido, pensar em escala poderá viabilizar projetos de embalagens positivas.

Quais são os exemplos mais notáveis de embalagens positivas e inteligentes hoje?

Quanto às embalagens positivas, são as que usam rejeitos orgânicos. De acordo com a sua pureza, elas realmente são rapidamente biodegradáveis mantendo o fluxo natural do ecossistema.

Já sobre as embalagens inteligentes, o rastreamento e o monitoramento das embalagens via QR Code é um fenomenal avanço no que tange a checagem da origem, autenticidade, idoneidade do produto e validade dos produtos. 

Numa fração de segundos, é possível averiguar o local da produção, suas condições, os materiais utilizados e outras informações que assegurem sua qualidade e veracidade. Um apoio fundamental da tecnologia que dá transparência e gera confiança para a marca.