As bebidas não alcoólicas já fazem parte da rotina de inúmeras pessoas que desejam ter uma vida mais saudável, mudança que vem sendo observada há alguns anos.
Mesmo que o café seja a bebida não alcoólica mais consumida do Brasil, os refrigerantes, energéticos, drinks e cervejas sem álcool se destacam em bares e restaurantes.
Entender o cenário atual e todas as oportunidades para o setor é fundamental para criar soluções inovadoras e atrativas para o mercado.
Quais bebidas não são alcoólicas?
As bebidas não alcoólicas são aquelas que possuem baixo ou nenhum teor de álcool em suas composições.
Segundo a legislação brasileira, para ser considerado um não alcoólico, líquidos devem ter até 0,5% de álcool em volume, a 20 °C.
Dentro dessa categoria, enquadram-se leite, refrigerantes, café, água mineral, energéticos, chás, entre outros.
Qual é o cenário atual do mercado de bebidas não alcoólicas?
O cenário atual mundial de bebidas não alcoólicas é muito positivo e competitivo. É o que demonstram as estimativas de crescimento para o período 2023-2028 da Mordor Intelligence.
A previsão é que a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) alcance entre 4,1% a 4,7%.
Esses números demonstram que a indústria de bebidas não alcoólicas contribui, de forma significativa, para a economia internacional e nacional.
Em 2020, os refrigerantes brasileiros, por exemplo, alcançaram o patamar de 68,1% das vendas totais de bebidas não alcoólicas (em volume), segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Porém, o mercado nacional não se restringe apenas a eles. Coquetéis e drinks sem álcool, cervejas no/low-alcool, entre outras opções, possuem crescimento expressivo.
Para se ter uma ideia de como está o mercado de bebidas no Brasil, a estimativa de vendas de cervejas sem álcool em 2023 foi de 480 milhões de litros, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior, segundo a Euromonitor Internacional.
Ainda conforme a empresa de pesquisa global, as vendas de cervejas com baixo ou zero teor alcoólico ultrapassaram 6,5 bilhões de litros no mundo em 2022.
Ou seja, a demanda por alternativas sem álcool já é uma grande tendência e vem conquistando muitos consumidores, que buscam um estilo de vida mais saudável.
Não é à toa que a inovação está muito presente na indústria de bebidas, pois o álcool não é o ingrediente principal e sim os sabores.
Lançamentos com ingredientes exclusivos e embalagens diferenciadas, por exemplo, fazem parte desse sistema inovador que visa atrair ainda mais pessoas.
Quais fatores contribuíram para a transformação do mercado de bebidas não alcoólicas?
A preocupação com a saúde e o bem-estar cresceu consideravelmente durante o covid-19. Foi a partir desse período, também, que as bebidas sem álcool cresceram em vendas como alternativa – perpetuando-se até os dias atuais. De lá para cá, a alimentação pós-pandemia mudou muito.
Fatores como sabor autêntico, baixas calorias e experiências sem “ressaca”, contribuíram de forma significativa para a transformação do mercado de bebidas.
Além disso, a busca por opções mais saudáveis abre espaço para todas as pessoas, pois promove a inclusão daquelas que não são adeptas ao álcool e grávidas.
Ou seja, em bares e restaurantes, as reuniões entre amigos e familiares se tornam ainda mais próximas, sem exceções.
Voltar para casa mais cedo, sem sentir a “ressaca” que o álcool causa, também é um hábito que vem crescendo entre os mais jovens, tornando a opção por drinks sem álcool a favorita dos “rolês”.
Outro exemplo é o mercado de bebidas funcionais, incluindo as esportivas. Como as atividades físicas ganharam um espaço maior na rotina das pessoas, o consumo desses líquidos aumentou consideravelmente.
Atualmente, o segmento de bebidas saudáveis é o que possui maior crescimento dentre as bebidas sem álcool.
7 tendências de bebidas não alcoólicas à vista

Ter atenção aos novos hábitos de consumo é fundamental, por isso separamos 7 novidades em bebidas sem álcool que você deve conhecer.
1. Mocktails zero álcool
Os mocktails, coquetéis criativos sem álcool, estão conquistando espaço ao oferecer uma experiência sofisticada sem os efeitos do álcool. Com sabores diversificados, eles atraem especialmente a geração Z, os Millennials e o público fitness, que buscam alternativas elegantes e saudáveis.
O mercado global de bebidas sem álcool segue em alta. Em 2023, o consumo de produtos com baixo teor da substância ou zero álcool cresceu 5% nos 10 principais mercados globais, e a projeção é de um CAGR de 6% até 2027, segundo a IWSR. O segmento de drinks sem álcool lidera esse crescimento, com previsão de +7% ao ano no mesmo período.
Produtos como gim e destilados sem álcool estão se destacando, com grandes marcas investindo em suas versões zero álcool, como Tanqueray 0.0 na Espanha. A estratégia combina a familiaridade das marcas tradicionais com a demanda por bebidas não alcoólicas sofisticadas.
Com marcas tradicionais e celebridades como Lewis Hamilton aderindo à inovação – o piloto lançou o Almave, um drink de agave azul sem álcool –, o setor de bebidas não alcoólicas se torna cada vez mais diverso e dinâmico.
2. Bebidas Envasadas
O mercado global de água engarrafada deve alcançar 0,38 trilhão de dólares em receita até 2025, segundo a Statista, com destaque para a China, que lidera o consumo interno com 65 bilhões de dólares. O volume total previsto é de 0,49 trilhão de litros, com um consumo médio de 57,74 litros por pessoa em casa.
No Brasil, o consumo de água engarrafada também cresce rapidamente. Dados da Beverage Marketing Corporation apontam que o país é o quinto maior mercado global, com consumo interno de mais de 21 bilhões de litros anuais e um consumo per capita acima de 105 litros.
Em 2020, o consumo cresceu 3,9%, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), refletindo a crescente busca por bebidas naturais e seguras.
3. Cerveja sem álcool
Embora represente pouco mais de 5% das receitas globais de cerveja, o segmento de cervejas sem álcool apresenta crescimento consistente e expressivo. Segundo o Statist Market Insights, as vendas globais devem atingir 50 bilhões de dólares até 2028, mais que o dobro do valor de 2020.
Grandes cervejeiras, como a Heineken, enxergam neste mercado uma oportunidade significativa, com consumidores buscando alternativas saudáveis e refrescantes que combinem sabor e estilo adulto. A tendência global de saúde e bem-estar consolida a cerveja sem álcool como um pilar importante no mercado de bebidas não alcoólicas.
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4. Bebidas tropicais
Além da cerveja sem álcool, as pessoas estão buscando drinks mais naturais, com destaque para o uso de frutas. O abacaxi, por exemplo, vem ganhando cada vez mais reconhecimento, tanto nas buscas online como em restaurantes e bares.
Porém, não é a única fruta a ganhar destaque entre as bebidas sem álcool. Geralmente, os consumidores buscam por bebidas com pouca ou nenhuma adição de açúcar, algo proporcionado por certas frutas.
O visual também é considerado. Drinks com apresentações bonitas são os favoritos para serem compartilhados nas redes sociais. Muito além do sabor, a inovação e a criatividade fazem parte da experiência.
5. Supercafés

Os cafés funcionais, ou supercafés, ganham espaço ao unir saúde e praticidade, atendendo a consumidores que buscam mais do que cafeína. Ingredientes como MCTs, que aumentam energia e foco, e colágeno, que promove a saúde da pele, cabelo e unhas, são destaques no segmento.
Segundo a pesquisa The Wellness Gap, da Ogilvy, 77% das pessoas priorizam o bem-estar, e 75% esperam que marcas atendam melhor a essa demanda. Supercafés também reduzem o uso de açúcares, aproveitando o sabor natural dos ingredientes funcionais.
Essas opções atraem jovens adultos em busca de foco e consumidores mais velhos focados em saúde digestiva e envelhecimento saudável.
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6. Bebidas sem cafeína
A busca por alternativas mais saudáveis tem levado muitas pessoas a repensarem seu consumo de cafeína, explorando opções conhecidas como “energia limpa”. Essas bebidas não alcoólicas incluem ingredientes como cacau e outras formulações presentes em supercafés, proporcionando energia sem os efeitos estimulantes da cafeína.
O mercado global de café descafeinado, avaliado em 2,39 bilhões de dólares em 2024, deve crescer a um CAGR de 5,3% entre 2025 e 2030, de acordo com a Grand View Research. Essa expansão reflete o aumento da conscientização sobre saúde e a demanda por produtos que atendem a consumidores preocupados com bem-estar.
A acessibilidade a opções descafeinadas em cafés, restaurantes e cafeterias também impulsiona o setor, tornando essas bebidas uma alternativa ideal para quem deseja reduzir ou eliminar o consumo de cafeína.
7. Bebidas com cannabis

As bebidas com cannabis têm mostrado um crescimento expressivo no mercado global, apesar dos desafios enfrentados. Em 2023, as vendas globais atingiram 2,04 bilhões de dólares, com previsão de crescimento significativo para 117,05 bilhões de dólares até 2032, a um CAGR de 57,50%, de acordo com a Fortune Business Insights.
Esse aumento é impulsionado pela crescente legalização da cannabis em diversos países e estados nos EUA, onde o mercado deve alcançar 81,44 bilhões de dólares no mesmo período. A legalização em países como Tailândia e Austrália também abre novas oportunidades, enquanto o apelo recreativo e os potenciais benefícios medicinais continuam a atrair consumidores.
Embora essas bebidas ainda não tenham alcançado o mesmo nível de popularidade de outras categorias, como bebidas alcoólicas, sua aceitação está crescendo em mercados como a América do Norte, que detinha 21,14% da participação global em 2023.
Como se preparar para crescer em 2025
O mercado de bebidas não alcoólicas apresenta desafios, mas também grandes oportunidades para marcas que buscam crescer.
Embora muitos consumidores indiquem que essas bebidas ainda não igualam suas versões alcoólicas em sabor, o foco está mudando para a criação de produtos que atendam à busca por inclusão social, saúde e inovação.
Marcas de destaque são aquelas que captam tendências e se conectam às demandas dos consumidores. Produtos exclusivos, inovadores e saudáveis estão conquistando espaço, enquanto a relevância nas redes sociais e o rastreamento de preferências em tempo real são estratégias essenciais.