A defumação de carnes é um método de conservação e saborização que envolve a exposição da carne à fumaça produzida pela combustão incompleta de madeiras específicas, como carvalho, bétula, mogno e nogueira.
O método tem como objetivo desenvolver sabores e aromas característicos, além de melhorar a conservação da carne.
Para que isso aconteça, é necessário entender não só como a defumação funciona, mas qual a fumaça e a temperatura corretas.
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Principais tipos de fumaça para defumar
Existem três principais tipos de fumaça usados para defumar carnes. São eles:
1. Fumaça de Lenha
Produzida pela queima de madeiras como carvalho, bétula e nogueira. Esta fumaça é rica em partículas de carbono e óleos essenciais, conferindo um sabor forte e marcante à carne.
- Perfil de sabor: forte e marcante, com notas de madeira e sabor defumado profundo.
- Tipos de carne indicados: carne bovina e suína.
2. Fumaça de Carvão
Resultante da queima de carvão vegetal, é menos aromática que a fumaça de lenha, mas queima por mais tempo e em temperaturas mais controladas, resultando em um sabor mais suave e uniforme.
- Perfil de sabor: suave e uniforme, com sabor defumado menos pronunciado.
- Tipos de carne indicados: frango e peixes.
3. Fumaça de Madeira
Utiliza madeiras específicas como macieira, pessegueiro e nogueira-pecã. Esta fumaça tende a ser mais suave e pode conferir sabores mais delicados e frutados à carne2.
- Perfil de sabor: delicado e frutado, com notas específicas dependendo da madeira
- Tipos de carne indicados: frango, peru, suínos e peixes.
Como é o processo de defumação
Após a escolha da fumaça e da carne, o processo de defumação começa pela secagem.
Primeiramente, a carne é seca para remover a umidade superficial. Isso ajuda a evitar a formação de mofo durante a defumação.
Em seguida, a carne é exposta à fumaça em uma câmara de defumação, onde a madeira é queimada lentamente sem produzir chama. Nessa etapa, a densidade da fumaça e a temperatura devem ser controladas para alcançar o grau desejado de defumação.
Feita a defumação, a carne é cozida para garantir que esteja completamente curada e segura para consumo.

São várias as opções em defumação, com vários produtos e processos. Porém, o especialista em embutidos e fundador da primeira escola de Charcutaria online do Brasil, Peterson Rebechi, explica que é importante que o produtor esteja atento a alguns resultados decorrentes da defumação.
“É importante que estejamos atentos a alteração da textura que a ação de defumar seus produtos poderá trazer. Por exemplo, bacons defumados a frio não alteram a textura da carne após a defumação. Isso traz uma versatilidade maior na aplicabilidade do bacon na cozinha posteriormente”.
O especialista lembra ainda que a defumação fria tem temperatura baixíssima que não altera a textura do produto a ser defumado, pois não ultrapassa 25-30ºC.
Peterson explica que a defumação a quente deve ser utilizada quando o produtor tem a intenção de, além de defumar, cozinhar a carne. Neste método, a temperatura interna da carne também precisa ser monitorada. No caso da carne suína, 72ºC é uma temperatura ideal para finalizar a defumação, segundo Rabechi.
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Qual a melhor fumaça: líquida ou em pó?
A melhor opção de fumaça para defumação depende do tipo de alimento, do método de aplicação e do resultado desejado. Tanto a fumaça líquida quanto a fumaça em pó têm suas próprias características e vantagens que se adaptam a diferentes contextos. Veja:
Fumaça líquida
A fumaça líquida é uma excelente escolha para quem busca praticidade e controle na intensidade do sabor defumado. Ela pode ser facilmente incorporada em marinadas, molhos e soluções de cura, o que permite uma aplicação uniforme e um controle preciso do sabor.
Essa uniformidade faz com que seja ideal para alimentos que necessitam de um sabor defumado consistente em toda a superfície, como carnes marinadas.
Porém, o uso excessivo da fumaça líquida pode modificar a textura do alimento, e algumas pessoas podem preferir o sabor autêntico da defumação tradicional.
Por fim, a opção líquida traz um excesso de perfil de fumaça, omitindo sabores secundários de ervas e especiarias utilizadas na cura, mas é mais rápida. “Por ser rápida, a indústria utiliza muito essa técnica para ganhar tempo em seus processos”, indica Rabechi.
Fumaça em pó
A fumaça em pó é uma opção versátil e com boa durabilidade, tornando-se ideal para misturas secas, temperos e produtos com vida útil mais longa, como snacks, queijos e embutidos.
Ela tem a vantagem de ser facilmente armazenada, mas pode ser mais difícil de aplicar uniformemente e pode não dissolver tão bem quanto a líquida.
É uma excelente escolha para quem busca praticidade na incorporação do sabor defumado em uma variedade de produtos.
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Escolher a fumaça ideal é fundamental para alcançar um processo de defumação de excelência, pois cada tipo de fumaça oferece características únicas que podem influenciar diretamente o sabor, a textura e a qualidade do produto final.
Entender diferenças e escolher a opção mais adequada ao alimento e ao processo de defumação contribui para um produto final saboroso e com a qualidade desejada, elevando a experiência de consumo e a aceitação do produto no mercado.
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