As apostas esportivas têm se expandido rapidamente no Brasil, gerando uma discussão crescente sobre seus impactos em diversos setores da economia, especialmente no food service. Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), esse crescimento desenfreado das “bets” está desviando recursos financeiros de segmentos cruciais, afetando negativamente as receitas de restaurantes e bares. Um manifesto assinado por várias entidades enfatiza a necessidade urgente de regulamentação das casas de apostas, especialmente em relação à publicidade e ao uso de cartões de crédito nas apostas online.

Dados da pesquisa do Instituto Locomotiva evidenciam os efeitos financeiros e sociais das apostas na população. O levantamento aponta que 45% dos apostadores afirmam ter enfrentado prejuízos financeiros devido às apostas, enquanto 37% reconheceram que utilizaram recursos destinados a despesas essenciais para jogar. Este desvio de renda impacta diretamente o setor de food service, onde 48% dos apostadores das classes C e D afirmaram que redirecionaram gastos com alimentação e lazer para apostas, prejudicando a receita de restaurantes e bares.

A situação se agrava quando se considera o perfil dos apostadores. A maioria deles pertence a classes sociais mais vulneráveis, que já enfrentam dificuldades financeiras. Segundo Renato Meirelles, presidente do Locomotiva, os serviços de apostas e jogos estão desviando cada vez mais receitas do consumo na economia, principalmente em comércio e serviços que poderiam estar com resultados melhores graças ao aumento da renda média no país. Essa dinâmica não apenas diminui a frequência em restaurantes e bares, mas também contribui para um ciclo de endividamento e problemas sociais.

Além dos impactos financeiros, a saúde mental e a qualidade do serviço nos estabelecimentos de food service também estão em risco. Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, ressalta que “aumenta a incidência de funcionários endividados, com problemas psicológicos e de relacionamento”, o que pode afetar diretamente a qualidade do atendimento. Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de uma abordagem regulatória que proteja tanto os consumidores quanto os negócios do setor.

Em resposta a essas preocupações, o governo já começou a implementar medidas para restringir o uso de cartões de crédito para apostas e monitorar o impacto das apostas nos beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família. A regulamentação se apresenta não apenas como uma necessidade, mas como uma oportunidade de mitigar os danos causados pelas apostas ao setor de food service, permitindo que restaurantes e bares voltem a se concentrar no atendimento ao cliente e na oferta de experiências gastronômicas de qualidade.

A seguir, veja como os gastos com food service estão sendo redirecionados a apostas e como está o andamento das ações públicas e privadas para reduzir os impactos das bets sobre o setor de bares e restaurantes.  

Associação denuncia efeito das bets sobre o food service

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) entende que o crescimento exponencial e desenfreado das “bets” tem atraído recursos de diversos segmentos e faixas etárias. Levantamentos e pesquisas apontam que um dos setores mais prejudicados é o de food service. 

Instituições do setor de comércio e varejo, incluindo a Abrasel e outras entidades relacionadas ao setor de food service, assinaram um manifesto pedindo a regulamentação das propagandas e do acesso aos jogos de apostas online. 

A discussão sobre a regulação do setor continua depois de o governo ter banido cerca de 2 mil casas de apostas do país entre setembro e outubro. Agora, está em pauta o uso de benefícios de programas sociais e cartão de crédito nos jogos on-line, entre outros pontos importantes, discutidos entre setores da economia e o governo. 

Efeitos financeiros e sociais da apostas on-line
  • 45% dos entrevistados jogadores admitem que as apostas esportivas “já causaram prejuízos financeiros”, 
  • 37% dizem ter usado “dinheiro destinado a outras coisas importantes para apostar online” 
  • 30% afirmaram ter “prejuízos nas relações pessoais”.

Fonte: Instituto Locomotiva/ Agência Brasil 

O documento assinado pelas entidades aponta ainda ações que podem ser implementadas imediatamente para conter o crescimento desenfreado das “bets”, como por exemplo, o bloqueio de cartões de crédito para apostas e uma tributação maior na operação. 

“No Brasil, a oferta de crédito é muito acima da capacidade de pagamento dos consumidores, o que cria situações de endividamento. O manifesto indica que o uso do cartão de crédito para apostas pode agravar o ciclo nocivo”, diz a Abrasel em comunicado. 

“A Abrasel entende que o crescimento exponencial e desenfreado das “bets” tem atraído recursos de diversos segmentos e faixas etárias, mas de forma ainda mais impactante, as classes C e D e de um público mais jovem. Além disso, por conta componente viciante, as apostas têm impactado diretamente no direcionamento dos recursos financeiros das famílias” – Abrasel

Bets capturam renda e produtividade do brasileiro 

Os dados dos rendimentos do trabalho do segundo trimestre de 2024 apresentaram uma nova elevação em relação ao trimestre anterior, consolidando o aumento da renda iniciado no segundo semestre de 2023. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 5,8%. Os dados são do Ipea.

Estimativas mensais mostram que o rendimento habitual médio real alcançou o pico em abril de 2024 (R$ 3.255), tendo recuado até R$ 3.187 em julho de 2024, valor 2,1% menor.

Esse aumento recente da renda média das famílias brasileiras têm tido impacto menor que o esperado na economia real, segundo Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. Isso porque parte importante desse ganho tem sido destinado para as apostas. 

“Estes serviços de apostas e jogos estão desviando cada vez mais receitas do consumo na economia, principalmente em comércio e serviços que poderiam estar com resultados melhores graças ao aumento da renda média no país” – Paulo Solmucci, presidente da Abrasel

Além disso, segundo Solmucci, há uma questão que tem afetado a operação dos estabelecimentos de food service. Isso porque os jogos online afetam principalmente as classes sociais que compõem a maior parte da força de trabalho do setor. 

Assim, de acordo com o representante da associação, aumenta a incidência de funcionários endividados, com problemas psicológicos e de relacionamento. “Em muitos casos, isso pode afetar diretamente a qualidade do serviço. É necessário que haja uma regulamentação, tanto das propagandas quanto do acesso às plataformas.” 

Impacto em números das bets sobre o food service 

O food service tem sido o setor mais afetado entre aqueles da economia real pelo aumento de clientes e aportes nas plataformas online de apostas. Ao menos, é o que aponta estudo do Instituto Locomotiva, especializado no levantamento de dados e estudo sobre consumo de classes de menor renda.  

Uma Matéria do Infomoney amparada na pesquisa da Locomotiva destacou que, nas classes C, D e E, 48% dos apostadores passaram a tirar dinheiro de gastos com restaurantes, bares e outros estabelecimentos do tipo para jogar. Esse valor só fica atrás do que foi redirecionado do setor financeiro: 52% dos respondentes passaram a tirar dinheiro do que seria destinado à poupança. 

Outro segmento do varejo que sofre com as apostas é o de roupas e acessórios, com 43% dos respondentes reduzindo seus gastos em lojas do tipo para colocar em bets. Depois disso, cinemas, teatros e shows (41%) também perderam recursos para as casas de apostas. 

Segundo o Locomotiva, 25 milhões de pessoas passaram a fazer apostas esportivas em plataformas eletrônicas nos sete meses iniciais de 2024, de janeiro a julho, uma média de 3,5 milhões por mês. Uma matéria da Agência Brasil destacou que na “pandemia das bets”, comparativamente, o intervalo de tempo é menor do que o que o coronavírus levou para contagiar o mesmo número de pessoas no Brasil – 11 meses, entre 26 de fevereiro de 2020 e 28 de janeiro de 2021.

Nesse sentido, o avanço dos gastos direcionados ao setor de bets têm sido exponencial. Em cinco anos, o número de brasileiros que apostaram nas bets chegou a 52 milhões. Do total, dos apostadores que fizeram ao menos uma fezinha em 2024 nas bets, 48% são considerados novos jogadores. 

A pesquisa do Instituto Locomotiva entrevistou 2.060 pessoas, com 18 anos ou mais, de 142 cidades de todo o país. 

infográfico panorama das Bets no Brasil

Perfil do apostador 

O Locomotiva traçou também o perfil dos apostadores no Brasil. Como se esperava, a maior é de homens. Contudo, chama a atenção a penetração das casas de apostas entre mulheres: 47% dos que apostam são do sexo feminino. 

Além disso, a pesquisa aponta que as apostas esportivas estão disseminadas principalmente entre a população brasileira com maior dificuldade de empregabilidade. Quatro de cada dez jogadores têm entre 18 e 29 anos. Vale mencionar que, no Brasil, há 4,6 milhões de jovens que não estudam, não trabalham e tampouco estão procurando emprego. Boa parte desses está concentrada nessa faixa etária. 

Os dados mostram ainda que oito de cada dez pessoas que apostam estão nas classes C,D e E, ou seja, a parte da população financeiramente mais vulnerável. 

Outro sinal de que as bets avançam principalmente sobre o público financeiramente mais vulnerável é o número de endividados que apostam nessas casas. O instituto verificou que 86% das pessoas que apostam têm dívidas e que 64% estão negativadas na Serasa. 

Do universo de pessoas endividadas e inadimplentes no Brasil, 31% jogam nas bets. Renato Meirelles, presidente do Locomotiva, diz que, muitas vezes, as pessoas que apostam o fazem na perspectiva de sair do endividamento. Contudo, o pagamento de prêmios mostra que o apostador está em desvantagem, aliás, como é a praxe no setor de jogos.

Meirelles também explica que, devido ao grande número de variantes na aposta esportiva (por exemplo: jogador que vai fazer gol, quando será o gol, quem será penalizado, como fica a tabela do campeonato etc.), o jogador muitas vezes ganha alguma coisa, e, apesar de perder mais do que ganha, a pessoa fica com uma sensação de ganho. 

Um levantamento feito pelo Itaú aponta que, só no Brasil, os apostadores frequentadores das bets virtuais perderam R$ 23,9 bilhões de reais entre junho de 2023 e o mesmo mês de 2024. Nesse mesmo período, as casas de apostas movimentaram R$ 68,20 bilhões.

Razões pelas quais as pessoas apostam nas casas on-line 

1ª razão: ganhar dinheiro (53%) 

2ª razão: diversão/entretenimento/prazer (22%) 

3ª razão: emoção e adrenalina (10%) 

4ª razão: passar o tempo (7%) 

5ª razão: “curiosidade” (6%)

6ª razão: “aliviar o estresse” (2%)

Fonte: Instituto Locomotiva

Orçamento limitado implica substituição de gastos 

Luciana Ikedo, especialista em finanças e autora do livro ‘Vida Financeira – Descomplicando, economizando e investindo’ destaca que as pessoas lidam com orçamentos limitados e, muitas vezes, escassos. Assim, ao destinar parte significativa dos ganhos para as apostas, o recurso que deveria ser destinado para outras finalidades, como alimentação e bebidas, fica comprometido.

“Vale lembrar que, na grande maioria das vezes, [a aposta] não traz retorno financeiro”, destaca a especialista. 

Nesse sentido, ela diz que não enxerga uma maneira racional de apostar em casas esportivas e destaca que os piores casos de perdas acontecem pela falta total de limites, levando apostadores a perderem tudo e se endividarem.

“Trata-se de um jogo, e é você contra a casa. O que se pode fazer é utilizar a arquitetura de escolha e limitar o valor destinado para essa finalidade. Ou seja, determinar antecipadamente, no momento de lucidez, qual é o valor máximo que você pode ou está disposto a perder com as apostas” – Luciana Ikedo, especialista em finanças

Nesse cenário, há algumas ações que as empresas afetadas pelas apostas podem tomar. Além da articulação junto a outros setores afetados pelas bets para pressionar as autoridades, é possível construir iniciativas voltadas para educação financeira.

“As pessoas precisam entender a diferença entre jogos e investimentos e tomar melhores decisões sobre esse tema. Outro ponto crucial é a imposição de limitações por parte do governo para proteger os mais vulneráveis que não conseguem decidir por si”, acrescenta Luciana. 

Uso do bolsa-família 

Um levantamento do Banco Central apontou que transferências PIX de beneficiários do bolsa-família para bets somaram R$ 3 bilhões só em agosto de 2024.  Nesse sentido, o governo foi cobrado por diferentes setores da economia sobre a destinação de recursos públicos pagos via programas de transferência de renda para casas de apostas. 

André Yuki, presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Varginha (SEHAV), no interior de Minas Gerais, região dependente dos serviços de alimentação e hotelaria, critica a maneira como as bets operam no Brasil e menciona que o endividamento através dos jogos afeta o orçamento familiar e prejudica o consumo de itens essenciais como alimentos, educação e saúde. 

“Só no mês passado foram R$ 20,8 bilhões em apostas, que deixaram de circular no comércio”, diz Yuki, que também é presidente da Abrasel no Sul de Minas e da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Varginha (ACIV). 

“Esse fato [destinação de R$ 3 bilhões para casas de apostas via beneficiários do bolsa-família] é inadmissível, pois recursos oriundos de impostos de trabalhadores, destinados ao sustento de famílias menos favorecidas, estão sendo utilizados em apostas” – André Yuki, presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Varginha (SEHAV)

No final de setembro, em entrevista à rádio CBN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o uso do cartão do Bolsa Família para apostas eletrônicas será interditado por determinação do Governo Federal. “Cartão do Bolsa Família, cartão de crédito; nada disso vai poder ser utilizado para o pagamento de aposta”, disse Haddad.

“Também vamos acompanhar CPF por CPF a evolução da aposta e dos prêmios, para evitar duas coisas: quem aposta muito e ganha pouco pode estar com dependência psicológica do jogo; e quem aposta pouco e ganha muito, em geral é lavagem de dinheiro. Temos de coibir esse problema da saúde pública e a questão do crime organizado”, advertiu o ministro da Fazenda. 

Impacto sobre a educação

Uma pesquisa encomendada por universidades particulares para investigar o impacto das bets sobre o setor de ensino superior apontou que 35% dos interessados em fazer uma graduação em 2024 não começaram o curso por gastarem seu dinheiro com bets e plataformas de cassino virtual, como o jogo do tigrinho. Isso significa algo perto de 1,4 milhão de pessoas. 

Segundo a pesquisa, conduzida pela Educa Insights e publicada inicialmente pelo O Globo, é uma realidade que afeta principalmente as famílias mais pobres. Ao jornal, Daniel Infante, sócio-fundador da empresa responsável pelo levantamento, disse que os grupos educacionais agora têm as bets como um novo concorrente. 

Nas famílias com renda de até R$ 2,4 mil por pessoa, um público-alvo importante para o setor educacional de ensino superior, o número de pessoas que trocaram o ingresso em cursos superiores por apostas chega a 39%. Vale mencionar que o salário médio de quem não tem curso superior está exatamente nesta faixa. Contudo, o grande impacto está nas classes de menor renda. Entre os que ganham até R$ 1 mil per capita, 41% trocaram o início na graduação por apostas. 

Associações de jogos também querem frear bets 

Antes de qualquer outro setor ser afetado pelas casas de apostas on-line, as loterias e outros produtos de apostas tradicionais foram impactados pela entrada das bets. Com isso, associações de jogos, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro do Jogo Legal (IJL), têm se colocado ao lado dos setores do varejo para discutir a atuação desses entrantes no mercado brasileiro. 

“É necessário registrar, inicialmente, que os problemas enfrentados por todos os segmentos, inclusive o das apostas de quota fixa, deve-se à ausência de regulação por mais de cinco anos, o que possibilitou o surgimento de centenas de sites ilegais”, disseram as associações do setor de apostas em comunicado. 

“Recompensas emocionais” também motivam apostas
  • 54% dos apostadores dizem sentir emoção ao apostar
  • 37% falam em felicidade 
  • 11% apontam alívio 

Para 42%, as apostas esportivas online “são uma forma de escapar de problemas ou emoções negativas.”

Fonte: Instituto Locomotiva / Agência Brasil 

A ANJL e o IJL afirmam apoiar a proibição da divulgação das bets como forma de investimento, “para que os jogos sejam vistos unicamente como entretenimento, nunca como fonte de renda”, e a antecipação da vedação ao uso de cartões de crédito em apostas para “mitigar riscos de endividamento e compulsão, especialmente entre os mais jovens e vulneráveis”.

“O Brasil está prestes a ter uma regulamentação robusta e responsável, que estará entre as melhores do mundo, de forma a coibir práticas abusivas e garantir que as apostas e os jogos online se desenvolvam de maneira sustentável e em benefício de toda a sociedade. O setor está comprometido com campanhas de conscientização e o desenvolvimento de ferramentas de proteção aos consumidores”, dizem as entidades setoriais. 

As associações de bets enviaram um comunicado para o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços, Geraldo Alckmin, e para o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, além dos ministérios da Fazenda, do Esporte e da Saúde.

“A associação e o instituto reiteram sua disposição para o diálogo e colaboração com todas as partes interessadas, com o objetivo de construir um mercado seguro e devidamente regulado, assegurando a proteção dos consumidores e combatendo práticas nocivas”, dizem as entidades. A ideia é articular “medidas concretas para sucesso da regulamentação no país”. 

Proibição no uso de cartões de crédito 

Inicialmente prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro, a proibição do pagamento de apostas online por cartão de crédito foi antecipada para o início de outubro de 2024. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) aprovou a medida em reunião extraordinária. A notícia foi divulgada pela Agência Brasil

Originalmente, a proibição do pagamento às bets (empresas de apostas eletrônicas) com cartão de crédito só valeria a partir de 2025, com a entrada em vigor do novo modelo de regulação de apostas eletrônicas elaborado pelo Ministério da Fazenda. No entanto, o crescente endividamento dos apostadores fez o setor privado antecipar a decisão.

“A decisão da Abecs baseia-se na crescente preocupação do setor de cartões em torno da prevenção ao superendividamento da população e do crescimento das apostas online no país, que, entre outras consequências, pode gerar impactos significativos no endividamento e no consumo relacionado ao varejo e ao setor de serviços”, destacou a associação em nota.

A Abecs ressaltou que o uso de cartão de crédito no segmento de bets é inexpressivo, pois a maior parte das apostas online é paga via Pix.

Proibição no uso de benefícios e anúncio de bets autorizadas

Além disso, no dia 6 de outubro, o presidente Lula disse que a regulação das casas de apostas online deve ficar pronta em alguns dias. Em sua fala, Lula reforçou que não aceitará que os recursos do Bolsa Família sejam usados para apostas, como Fernando Haddad, ministro da Fazenda, já havia antecipado. 

Lula disse ainda que, se houver problemas com o atendimento dos critérios estabelecidos para funcionamento das casas de apostas, ele vai “acabar” com a operação de bets no país.  “Se não houver resultado com regulamentação, não tenho dúvidas de que acabaremos com isso”, disse.

“Estamos fazendo uma regulação [das bets] e, ainda no mês de outubro, nós vamos tirar pelo menos 2 mil sites de apostas nesse país. E, depois, vamos saber o que a regulamentação vai garantir de benefício, de certeza que a coisa está sendo feita com seriedade” – presidente Luiz Inácio Lula da Silva 

No começo de outubro, o governo anunciou a lista de empresas de apostas on-line aptas a operar no país. São 89 empresas nacionais que operam 192 marcas.

A lista indica as empresas e marcas autorizadas a funcionar no Brasil até 31 de dezembro de 2024. Depois, outra lista, que será a definitiva, dirá quais sites ficam autorizados a funcionar no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2025, data de início da regulação do mercado de apostas do país.

Conclusão 

Os impactos já registrados das apostas esportivas no setor de food service revela um quadro preocupante. A crescente popularidade das “bets” tem desviado recursos financeiros essenciais, especialmente das classes C, D e E, para as casas de apostas. Dados da pesquisa do Instituto Locomotiva mostram que uma parte significativa da renda destinada a alimentação e lazer foi redirecionada para jogos, resultando em perdas diretas para restaurantes e bares. Essa mudança no comportamento do consumidor compromete não apenas a receita, mas também a saúde financeira dos estabelecimentos.

Outro aspecto crítico é o perfil dos apostadores, que frequentemente pertencem a grupos vulneráveis. A incidência de endividamento entre esses consumidores gera consequências diretas sobre a qualidade do atendimento nos estabelecimentos de food service. O aumento de funcionários com problemas financeiros e emocionais pode afetar a experiência do cliente, prejudicando o setor ainda mais. Assim, a necessidade de regulamentação e proteção dos consumidores torna-se evidente, conforme destacado pelas entidades do setor.

O futuro das apostas no Brasil dependerá significativamente da resposta regulatória do governo. Medidas como a proibição do uso de cartões de crédito para apostas e a fiscalização do uso de recursos públicos em jogos online são passos importantes para mitigar os efeitos nocivos das apostas. No entanto, a eficácia dessas ações dependerá de uma implementação rigorosa e da educação financeira da população, a fim de conscientizá-la sobre os riscos envolvidos nas apostas.

Se as tendências atuais continuarem sem controle, o impacto sobre bares e restaurantes pode se acentuar. Para que o setor de food service se recupere e prospere, é fundamental que as casas de apostas sejam regulamentadas de forma eficaz e que se estabeleçam iniciativas voltadas para a conscientização do consumidor. Somente assim será possível garantir que os recursos financeiros dos consumidores não sejam cada vez mais desviados do comércio para serviços que, do ponto de vista social, são pouco produtivos e, em muitos casos, deletérios.

Confira a lista das bets autorizadas a funcionar no Brasil

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Fonte: Ministério da Fazenda